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L E L I A
I R U Z U N |
TRIBUNA DA IMPRENSA,
10/10/2007 Subiu
a estrela
Carlos Dantas A estrela sobe. Tão comum a expressão. Mas tantas vezes realmente
confirmada. Bem assim nos ocorreu quando ouvimos a então meninota Clélia
Iruzun no início da carreira pianística. Ficou tão patenteada a soma de
qualidades, quer sob o ângulo material quer no âmbito expressivo, não
podendo restar dúvida quanto ao desenvolvimento exitoso a aguardar-lhe.
Uma estrela que subia. A subida foi pontilhada sempre de vitórias em certames locais e
internacionais, de estímulo da parte de autoridades como Jacques Klein,
Nelson Freire. Das aulas formais com a mestra Maria Curcio resultou para
Clélia Iruzun uma bolsa de estudos na Royal Academy of Music, em Londres,
aí recebendo ensinamentos de Christopher Elton e, posteriormente, de Mercês
de Silva Telles (em particular o aprimoramento na observação dos estilos). A ascensão artística de Clélia Iruzun já de há algum tempo a fez
engastada na constelação mundial dos mais interessantes intérpretes
pianísticos. De fato, subiu a estrela. Faz-se brilhantemente visível em
concertos e recitais no Ocidente e no Oriente. Sua recente "tournée"
chinesa mobilizou vasta porção de público para ouvi-la no Grande Teatro
de Xangai e na Sala de Concertos da Cidade Proibida, em Pequim (Clélia
reside na capital britânica). Indispensável registrar na carreira de Clélia Iruzun seu inconsútil
apego à obra do nosso grande compositor Francisco Mignone. Este, desde
que a ouviu, tornou-se um mentor especial e até lhe dedicou uma Suite. Ao
longo de sua vida, o mestre nunca cessou de admirar e aplaudir esta
brasileira de origem basca, intéprete ideal do que ele compôs para
piano. Prova de tal qualificação interpretativa é o CD (selo Lorelt
Records Ltd.) que Clélia acaba de lançar entre nós. Todas as faixas pertencem à inventiva de Mignone. São em número de 33,
uma legítima panorâmica do que escreveu para teclado. Abrange o que Mário
de Andrade chamava de fase negra, "caracterizada pela utilização do
nosso fundo afro". A famosa "Congada", por sinal, abre o CD. Não faltam Valsas
("de esquina", "brasileira", "valsa-choro").
Constam também as cinco peças dedicadas à própria Clélia - e mais páginas
outras representativas da possança composicional do inesquecível autor.
Só para concluir, Clélia Iruzun tocas-as todas de maneira admirável. Verdadeiramente
estelar. |